em um significado único que acomete um sentido próprio, falta alguma letra oculta, rabiscada nas entrelinhas do receituário, falta ali algum espaço para um verdadeiro remédio em minha vida.
ritalina
na TV desligada vi o reflexo da janela demarcando na tela vazia os contornos do ambiente que habitava e que até aquele momento ignorava, la fora a paisagem inundada de sol vibrava e eu também não via
Radiohead - Codex
Kings Of Convenience - Love Is No Big Truth
Talvez a miséria tenha chegado. Não se pode viver da própria alma. Não se pode pagar o aluguel com a alma. Experimente fazer isso um dia. É o início do Declínio e a Queda do Ocidente, como Splenger dizia. Todo mundo é tão ganancioso e decadente, a decomposição realmente começou. Eles matam gente aos milhões nas guerras e dão medalhas por isso. Metade das pessoas deste mundo vai morrer de fome enquanto a gente fica por aí sentado vendo TV.
— Charles Bukowski (via des-construcao)(Source: eles-dizem, via des-construcao)
um tempo atrás, quando estávamos discutindo as motivações que nos faziam lutar pela preservação do bosque no centro de Londrina, levantei um conceito importante, que agora posso estender ao calçadão: A apropriação do espaço publico está intimamente ligada a sua identificação como um lugar. Lugar tem muito mais significado que localidade, pois nele esta inserido um conceito cultural do espaço urbano. o “lugar” é reconhecido pela pessoa através da vivencia acumulada nesse espaço, onde se firmam relações sociais, comerciais e afetivas, definindo uma gama de conexões entre comerciantes que ali trabalham, moradores vizinhos, visitantes ocasionais e recorrentes, arvores fazendo sombra aos bancos, equipamentos urbanos e usos específicos desse espaço. Assim as características físicas e simbólicas de um lugar, vão muito alem de uma assepsia estética comumente evocada nas ocasiões onde uma intervenção como a ocorrida no calçadão acontece. o novo calçadão tem uma fonte, mas não tem bancas de jornal, homem da pipoca e do sorvete, não tem pracinha sombreada para descansar enquanto toma o sorvete, não tem fatores humanos e ambientais que favoreçam a permanência de pessoas ali. Essa assepsia tão presente na nossa (anti)cultura tenta apagar as sujeiras de sua memoria com uma insustentável e perpetua “revitalização” de espaços abandonados, esquecendo-se que a memoria física de um lugar é a materialização da memoria cultural de um povo e como tal merecia ser tratada com mais cuidado e menos afobamento, polpando-nos dessa leviandade que é revirar todo o mundo em nome de um progresso que mal sabemos definir qual.