NoREFLEXOdaTV

na TV desligada vi o reflexo da janela demarcando na tela vazia os contornos do ambiente que habitava e que até aquele momento ignorava, la fora a paisagem inundada de sol vibrava e eu também não via

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Radiohead - Codex

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Kings Of Convenience - Love Is No Big Truth

…porque não o vejo mais como um lugar para mim.

um tempo atrás, quando estávamos discutindo as motivações que nos faziam lutar pela preservação do bosque no centro de Londrina, levantei um conceito importante, que agora posso estender ao calçadão: A apropriação do espaço publico está intimamente ligada a sua identificação como um lugar. Lugar tem muito mais significado que localidade, pois nele esta inserido um conceito cultural do espaço urbano. o “lugar” é reconhecido pela pessoa através da vivencia acumulada nesse espaço,  onde se firmam relações sociais, comerciais e afetivas, definindo uma gama de conexões entre comerciantes que ali trabalham, moradores vizinhos, visitantes ocasionais e recorrentes, arvores fazendo sombra aos bancos, equipamentos urbanos e usos específicos desse espaço. Assim as características físicas e simbólicas de um lugar, vão muito alem de uma assepsia estética comumente evocada nas ocasiões onde uma intervenção como a ocorrida no calçadão acontece. o novo calçadão tem uma fonte, mas não tem bancas de jornal, homem da pipoca e do sorvete, não tem pracinha sombreada para descansar enquanto toma o sorvete, não tem fatores humanos e ambientais que favoreçam a permanência de pessoas ali. Essa assepsia tão presente na nossa (anti)cultura tenta apagar as sujeiras de sua memoria com uma insustentável e perpetua “revitalização” de espaços abandonados, esquecendo-se que a memoria física de um lugar é a materialização da memoria cultural de um povo e como tal merecia ser tratada com mais cuidado e menos afobamento, polpando-nos dessa leviandade que é revirar todo o mundo em nome de um progresso que mal sabemos definir qual.